Espetros de Orpheu

oleh: Roberto Vecchi

Format: Article
Diterbitkan: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística 2015-11-01

Deskripsi

Várias são as formas com que se articularam as mitologias da modernidade provocadas pela experiência do Orpheu. No entanto, há uma dimensão menos evidente que é a espetralidade de Orpheuque se conjugou ao longo do século XX como uma sombra intermitente condicionando momentos estéticos e críticos de diferente natureza, às vezes até em contradição recíproca.  Talvez se possa pensar numa teoria do espetro sustentada pela própria dinâmica do Orpheu, onde a natureza anfibológica do espetro -ao mesmo tempo presente e ausente, vivo e morto- atua a partir de uma resistência ou uma força que marcam sinais e sobrevivências, apesar de um fim nunca assumido e sempre adiado.  Orpheuinscreve-se assim plenamente naquela “hantologie” pensada por Derrida a partir do célebre começo do Manifesto do Partido comunista de Marx. Porque, também no Orpheu, o que está em jogo é a ontologia do espetro: a repetição e a primeira vez. Como é inegável, a espetralidade do Orpheu 3, retorno fracassado do mito moderno de Orpheu, anúncio recorrente e impossível de um reaparição fantasmática que se realiza só na dimensão crítica e conceptual do póstumo (como resto sobrevivente).     This work is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.